TIPOS DE RECEITAS.

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Como as empresas ganham dinheiro? Você saberia me dizer?

“Bom, elas ganham dinheiro vendendo as mercadorias de seu portfólio ou realizando a prestação de algum serviço”, você poderia me dizer.

Sua resposta não está errada, mas será que esses são os únicos meios de uma empresa registrar receitas? Isso mesmo, quando uma empresa ganha dinheiro ela registra em sua DRE uma receita, a qual é a base para saber se a empresa está auferindo lucro ou prejuízo ao final do período contábil.

Mas antes de continuarmos com o assunto, vamos à definição da palavra “Receita” junto ao nosso amigo dicionário:

Receita: Soma de todos os valores que uma pessoa física ou jurídica recebe dentro de determinado espaço de tempo, quanto a seus negócios, proventos ou rendas.

Pois bem, o dicionário nos deu uma baita luz acerca do que é uma receita para uma empresa (ou para uma pessoa física que trabalha de forma autônoma, por exemplo). Para compreender mais a fundo, vamos separar em partes o que o dicionário diz sobre receita.

1) Soma de todos os valores:

Mas como assim todos os valores? Isso significa que existe mais de um tipo de entrada de dinheiro na empresa que não da venda de mercadorias/prestação de serviços?




 

Sim…. dentro da contabilidade existem diferentes tipos de receitas que são registrados como ganhos na DRE da empresa. Vamos à alguns deles:

a) Receita principal ou primária:

A receita principal de uma empresa advém de sua atividade central, ou seja, aquela para qual a empresa foi constituída. Ela pode ser da prestação de serviços (transporte, reparo, saúde, entretenimento, educação) ou da venda de mercadorias (alimentos, automóveis, vestimenta, imóveis).

Independente do que ela produza/realize, a receita principal é a que dá a característica da empresa e deve ser considerada sua atividade fim, devendo ela corresponder à maior parte do faturamento.

b) Receita secundária:

A receita secundária de uma empresa está sempre abaixo de sua receita principal, porém pode ser relevante para a empresa. Um exemplo é uma empresa de papel que pode ter ele como carro-chefe (maior parte do faturamento) e também vender papelão.

A receita secundária geralmente é correlata da receita principal, ou seja, elas quase sempre estão dentro do mesmo segmento, permitindo a empresa varias o portfólio de seus produtos.

Importante! Não confundir receita secundária com produtos diferentes. Uma empresa de alimentos pode produzir salsicha e linguiça e nem por isso a venda desses produtos geram receita principal e secundária. O correto seria alocar ambos os produtos como “Receita com a venda de alimentos”.

Ambas as receitas (primária e secundária) são alocadas na primeira linha da DRE.




 

c) Receita com sobras de materiais:

Lembra do nosso exemplo anterior da indústria que produzia papel e papelão? Pois bem, essas são as receitas primária e secundária da empresa respectivamente.

Mas durante o processo de fabricação do papel e papelão, restam fiapos e rebarbas de que são descartadas pela empresa, que não vê utilidade nesse material.

Muitas empresas ao invés de simplesmente descartar ou jogar fora as sobras de materiais que provém da fabricação de seus produtos principais realizam a venda destes para outras empresas que podem ver valor na aquisição deste material.

Como essa venda não é recorrente e não faz parte do core-businees da companhia, não podemos classifica-la na DRE como Receita Bruta, devendo alocar este valor como “Outros resultados” ou “Receitas diversas”.

d) Receitas não operacionais/não recorrentes:

Imagine que uma empresa de móveis possui quatro grandes fábricas e que acabamos de entrar em um período de crise, onde o setor em que ela atua está vendendo cada vez menos. Com o intuito de se reestruturar, a companhia realiza um planejamento que envolve vender uma das suas fábricas a fim de reduzir gastos.

Após diversas negociações com outra empresa, a fábrica é vendida pelo valor de cem milhões de reais. Será que nós podemos registrar esse valor no DRE da empresa como se fosse sua receita bruta? É claro que não!!!

Uma vez que vender fábricas não faz parte do nosso negócio principal, que é móveis, esse ganho ou receita deve ser alocado em uma conta que demonstre que este valor foi algo não recorrente e que não advém de nossa atividade operacional. Sendo assim, existe uma linha específica na DRE designada para alocar esse tipo de ganho.

“Ah Denis, mas e se nos próximos anos a empresa continuar em crise e começar todo ano a vender uma de suas fábricas. Será que posso alocar ela como atividade secundária?”

NÂO!! Afinal a sociedade foi constituída com o intuito de fabricar móveis. Para que a venda de fábricas se enquadre como receita secundária (ou até primária) será necessário alterar o CNPJ da empresa informando que ela não mais atuará como fabricante de móveis.

e) Receita financeira:

Muitas vezes as empresas ao manter seu dinheiro parado em caixa para emergências realiza a aplicação do saldo disponível em investimentos de alta liquidez, ou seja, que podem ser sacados a qualquer momento. O intuito da empresa em realizar esse tipo de transação é de rentabilizar o dinheiro parado para que este não perca seu valor para a inflação.




 

Nestes casos, como deixou o dinheiro em algum investimento, a empresa terá uma rentabilidade através dos juros sobre o valor depositado, resultando assim em um ganho financeiro.

Como essa não é atividade principal da empresa, deve-se alocar na DRE todos os ganhos com juros na conta de “receitas financeiras”. O mesmo aplica-se para descontos obtidos pela empresa no pagamento de juros aos bancos ou a terceiros!

Então é isso! Agora você já sabe que uma empresa possui diversos tipos de receitas e que cada uma tem uma utilidade e devem ser alocadas em diferentes locais na DRE a fim de mostrar aos stakeholders o lucro exato que a empresa aufere.

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Até a próxima!

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