PROFISSÃO CONTADOR – PARTE 1.

Tempo de leitura: 7 minutos

Acho que a dúvida que eu mais recebo aqui no Contábeis sem Segredos é sobre como é ser um profissional de contabilidade… quais as principais funções, que tipo de tarefa terá de realizar no dia e etc..

Pensando nisso, nós aqui do blog montamos uma minissérie especial em duas partes que vão mostrar um pouco o dia a dia de um contador, como funciona o seu trabalho e que caminhos ele pode seguir em sua carreira.

A profissão.

Trabalhar com contabilidade, antes de tudo, é gostar de mexer com números e ter um perfil bastante analítico. Mas calma, quando dizemos que você deve gostar de números não estamos falando que terá de saber cálculo derivado, estatística aplicada avançada, geometria analítica e etc..

A matemática envolvida em contabilidade remete, resumidamente, às quatro operações básicas da contabilidade: adição, subtração, multiplicação e divisão.

Em contabilidade, a parte matemática em si é bastante prática e de fácil execução. O que o contador deve atentar-se na verdade é com a parte analítica da coisa, devendo ele estar munido de informações suficientes para poder contabilizar a análise correta da operação que deve ser realizada.

Apesar do que muitos pensam, contabilidade não é uma ciência exata e sim humana, afinal o campo de estudo da contabilidade é a análise da evolução patrimonial de uma empresa, evolução esta planejada, organizada e executada por nós, seres humanos. Desse modo, a contabilidade estuda a interação pessoa física (administradores) e pessoa jurídica (empresa).

 

Área de atuação

a) Dentro da empresa:

Todas as empresas, sem exceção, precisam de um contador. Seja aquele profissional que trabalhe dentro da própria empresa ou uma empresa terceirizada, toda empresa que trabalhe de forma legal deve possuir um setor contábil (interno ou externo) que elabore as informações patrimoniais para fins de controle e fiscalização.

Além da óbvia atuação nas áreas contábil e fiscal (que trabalha com impostos) de uma empresa, o profissional de contabilidade é frequentemente visto na área financeira, principalmente controladoria, a qual realiza o controle, análise e acompanhamento das operações financeiras das empresas.

Devido ao vasto conhecimento em operações financeiras e de controle com as quais o estudante de contabilidade terá contato durante o curso, a parte financeira de uma empresa é de fácil compreensão para este profissional.

Já na parte de contabilidade de verdade, o profissional pode atuar no registro de operações diárias que a empresa realiza como a compra e venda de mercadorias, os valores dos salários e impostos devidos na folha de pagamento, o relacionamento com a Receita Federal brasileira (responsável pela cobrança de impostos) e muitas outras áreas.

Pelo fato do profissional contábil ter acesso a informações privilegiadas da empresa, é de extrema importância que ele tenha total consciência da responsabilidade da confidencialidade desses dados, não devendo comentar valores e transações com os demais membros da empresa que não fazem parte da área.

b) Fora da empresa:

Para quem gosta de algo mais dinâmico e analítico e não quer ficar sentado na cadeira de uma mesma empresa, a profissão certa para você pode ser a de auditor! Grandes empresas como Delloite, Ernest & Young, Price e KMPG (as big four da auditoria) realizam consultorias terceirizadas aonde o contador vai à empresa para esmiuçar suas contas financeiras e encontrar possíveis erros.

Ser um auditor contábil é extremamente dinâmico e exige do profissional um vasto conhecimento sobre teoria da contabilidade, conhecimento da legislação vigente e um fato instintivo para encontrar erros contábeis. Além disso, um auditor pode viajar pelo país (ou até mundo) inteiro para analisar grandes empresas.

Outro ramo da contabilidade é o de perito contábil, ramo em que o profissional de contabilidade irá a empresas analisar suas contas financeiras a fim de dar suporte a decisões judiciais. Este ramo da contabilidade é um dos que os profissionais são mais bem pagos, devido principalmente ao nível de especialização que o contador deve possuir no seu ramo de atuação.

Você pode ainda abrir sua própria consultoria a fim de prestar serviços terceirizados de perícia, auditoria e análise contábil, sendo um empreendedor no ramo de contabilidade.

 

Mercado de trabalho

Como dito acima, o mercado de trabalho do contador é extremamente vasto e, portanto, há uma infinidade de lugares possíveis para se trabalhar. Sempre aquecida, na área contábil é razoavelmente fácil de encontrar estágios e vagas para analistas juniores com uma vasta variedade de áreas para se atuar. O salário inicial de um analista contábil gira em torno de R$ 1.500,00 mensais mais benefícios.

Atualmente, com a “recente” mudança da principal lei contábil (Lei nº 11.638 de 2007) houve um apagão de profissionais devido às mudanças bruscas que ocorreram em diversos aspectos da contabilidade. As novas turmas que estão ingressando na faculdade já possuem grades atualizadas com o novo material contábil, o que dá vantagem aos contadores que estão por vir.

Quanto ganha um contador?

Diferentes das outras áreas, o profissional de contabilidade possui uma gama enorme de cargos e níveis, cada qual com sua base salarial e benefícios próprios, sendo assim é difícil cravarmos um valor exato.

Porém, através de pesquisas junto a sites de empregos, nós listamos os principais valores:

1º) Início de carreira (trainee/estagiário/junior):
– Salário Mínimo: R$ 800,00/mês.
– Salário Médio: R$ 1.600,00/mês.
– Salário Máximo R$ 2.800,00/mês.

2º) Profissional de média experiência (formado ou formando/pleno/sênior):
– Salário Mínimo: R$ 1.900,00/mês.
– Salário Médio: R$ 3.500,00/mês.
– Salário Máximo R$ 5.500,00/mês.

3º) Profissional já qualificado (formado/sênior/diretor/controller):
– Salário Mínimo: R$ 5.000,00/mês.
– Salário Médio: R$ 7.500,00/mês.
– Salário Máximo R$ 12.000,00/mês.

(OBS: lembrando que os valores podem alterar de estado para estado, dependendo do número de vagas disponíveis e setores de atuação).

Competências essenciais de um contador:

A maioria dos contadores trabalha diretamente ligado à análise de contas contábeis e muitos números, portanto, algumas são exigidas algumas características essenciais para que você seja um bom contador:

  • Capacidade analítica: por estar em contato com números, dados financeiros e também legislações que regem a contabilidade, o profissional dessa área deve ter uma grande capacidade analítica em identificar pontos incorretos nos lançamentos contábeis, valores desconexos e ainda estar atento à legalidade das operações.
  • Senso crítico: cabe ao contador buscar nos detalhes de cada balanço patrimonial os pontos que podem prejudicar fiscalmente e financeiramente os dados da empresa, a fim de evitar futuros problemas e até prejuízos.
  • Gosto por estudar: a contabilidade é uma ciência que se atualiza constantemente e, por conta disso, o profissional deve sempre estar atento às novas publicações contábeis realizadas pelo Comitê Federal de Contabilidade . Além disso, a contabilidade é intimamente ligada ao direito, então atenção com novas leis que podem mudar interpretações de dados apurados pelo contador, a fim de evitar erros nos lançamentos.
  • Facilidade com números: a contabilidade é basicamente a análise dos números das empresas, então nada mais justo que o profissional de contabilidade ter alguma facilidade com matemática e principalmente estatística. Estas são matérias cobradas nos cursos de contabilidade onde muitos alunos pecam e não preenchem as expectativas das empresas, por isso vale a pena se aplicar a ela.

Então é isso! Identificou alguma área interessante ou encontrou finalmente a profissão que estava procurando? A contabilidade é com certeza uma área promissora para quem é analítico, dedicado aos estudos e gosta de números.

Na parte 2 desta minissérie especial (clique aqui para ler), vamos falar sobre o curso de ciências contábeis, as grades curriculares, onde estudar e quais os passos que você pode seguir dentro da área contábil!

Comente conosco se essa é a área certa para você! Se gostou do artigo compartilhe ele com seus amigos!

Até a próxima!

2 Comentários


  1. Caros colegas,
    Os comentários aqui publicados são todos pertinentes e coerentes. Como contador formado em 1954 e, portanto, vivência de décadas, tenho observado que a técnica de contabilização tem evoluído muito, mas o ensino continua da mesma forma. Quando comecei na profissão, todos os livros eram manuscritos, depois apareceram os datilografados e depois os computadorizados.
    Mas a forma de ensino continua no mesmo padrão: escrituração do lançamento no diário, transporte para o livro razão, levantamento de balancetes e preparação dos demonstrativos contábeis.
    Acontece que, hoje, o contador, praticamente não vê o livro diário, o livro razão e nem prepara os demonstrativos contábeis, pois, depois de classificados os documentos a contabilizar e digitados para computação, o computador faz tudo.
    Por isso, quando passei a atuar como consultor de empresas, sempre encontrei erros nos demonstrativos contábeis, que tinham origem na classificação das operações.
    Durante o período em que estava trabalhando como consultor de uma dessas empresas, resolvi revisar o Plano de Contas, escrevi a finalidade de cada conta, quando ela é debitada e creditada, dei exemplos de lançamentos para cada conta, exemplos exemplos de operações e como devem ser classificadas, e exemplos de demonstrações contábeis. Uma verdadeira cartilha.
    Foi aí que o dono da empresa, que gostou tanto da “cartilha”, sugeriu que eu publicasse um livro, pois não havia nada igual no mercado.
    Isto foi feito em 2012 e a 1ª Edição se esgotou em 18 meses. Ao publicar a 2ª Edição, o Professor Eliseu Martins, da FEA-USP, escreveu na contra-capa: “….. Nada igual até hoje eu vi, elaborado com tamanha facilidade de acesso para aquele momento em que o conceito, a teoria, o porquê estão na cabeça do profissional, mas a forma da execução causa alguma dúvida. ……”
    Este livro é o MANUAL DO CONTABILISTA PARA SISTEMAS INFORMATIZADOS, que foi bem aceito por outros professores universitários e dezenas de escritórios contábeis.
    Voltando à forma de escrituração, creio que a forma de ensino da contabilidade deveria ser reformulada, começando pelo seu objetivo que é a apresentação de demonstrativos contábeis perfeitos, baseados num plano de contas bem elaborado, com explicações da finalidade de cada conta e como as operações devem ser contabilizadas.
    Esta forma de ensino é mais compatível com o estágio atual de contabilização informatizada.

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    1. Muito obrigado pelo comentário Mituo! Parabéns pelo seu livro!

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