Intangível, o valor do “nada”.

Intangível, o valor do “nada”.

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Quanto vale o nada? Oras, o nada não vale, assim como seu nome diz, NADA! Mas o que é o nada? Nada é algo que não existe fisicamente e que não pode ser palpável ao toque humano, ou seja, é algo incorpóreo tal qual uma ideia ou sentimento.

Mas uma ideia vale alguma coisa?

Em contabilidade vale sim! Ideias, marcas e expectativas possuem o seu valor, valor esse registrado no ativo intangível do balanço patrimonial da empresa, tema do nosso artigo de hoje! Vamos ao tema.

Intangível, quanto vale?

Por definição do dicionário, tangível é algo que não é corpóreo, não possui massa física e que não pode ser tocado. Será que existe algo assim em nossas empresas? A resposta é sim!

Pense na marca PEPSI. Ela é apenas um nome, uma marca de um produto, algo que eu não posso tocar, porém vá até a sede da empresa nos Estados Unidos e diga que deseja adquirir a marca (algo não tangível) PEPSI. Certamente eles lhe pedirão bilhões de reais pela aquisição!

Mas se algo não tem forma ou corpo, como pode valer alguma coisa? Essa é justamente a função de compreensão do ramo da contabilidade que foca no Ativo Intangível, área que estuda os ativos não monetários das empresas.

Uma marca pode ser avaliada em bilhões de reais quando se acredita que seu uso trará outros bilhões de reais em retorno financeiro para quem a adquirir. Porém, não é fácil realizar a sua avaliação, uma vez que devem ser levados em conta diversos pontos para saber se uma marca é valiosa ou não. Essas avaliações devem ser sempre realizadas por empresas especializadas e de grande renome de mercado.

Não só a marca de uma empresa vale algo, mas também os seus softwares. O Windows, sistema operacional que a maioria das empresas possui, não tem forma física, mas ainda assim possui um valor de aquisição pela licença de uso, valor este registrado no ativo intangível da empresa, afinal ela possui um ativo que possui valor, apesar de não apresentar forma.

Porém nem tudo pode ser contabilizado como intangível. Existem algumas regras específicas para que um bem possa ser considerado apto a estar nesta conta patrimonial, tal qual:

  • Não pode possuir forma física (tangibilidade).
  • Deve trazer alguma vantagem competitiva ou benefício econômico para a empresa.
  • Deve possuir meios de se avaliar seu valor.
  • Pode ser negociado (compra e venda).

Cuidado ao registrar um ativo como intangível, pois caso ele não cumpra a maioria dos benefícios acima, a sua contabilização será falha e poderá gerar contestações futuras.




E o ativo intangível se deprecia?

Conforme já falamos no artigo sobre depreciação (parte 1, parte 2 e parte 3), com o passar do tempo, os ativos da empresa vão perdendo seu valor e se depreciam, devendo a contabilidade da companhia registrar valores cada vez menores até que a vida útil do bem chegue ao fim.

Mas e ideias e marcas? Elas possuem uma vida útil? Será que elas perdem seu valor com o passar do tempo?

Diferente do ativo imobilizado, os intangíveis não sofrem depreciação e sim amortizações, que são descontos periódicos do valor registrado no momento da aquisição do ativo. As amortizações possuem prazos definidos e diferentes modelos de contabilização. Para acessar as explicações individuais de cada uma delas, basta clicar em seus respectivos links:

  • Amortização linear.
  • Amortização dos saldos decrescentes.
  • Amortização por unidades produzidas.

A base de valor da amortização de um ativo dá se com o valor contábil deste no momento de sua aquisição e inicia-se logo após a disponibilidade do ativo intangível para uso pela empresa.

(Se estamos falando de ativos intangíveis como exploração de recursos naturais, existe ainda a redução do valor contábil por exaustão).

Goodwill

Lembra que no começo do artigo falamos que expectativa também possuem valor? Pois é, isso ocorre o tempo todo.

Imagina, por exemplo, as ações das empresas negociadas na Bovespa, a bolsa de valores de São Paulo. Se você tentar comprar uma parte acionária da Petrobrás, por exemplo, terá que pagar um preço por essa ação.

Na bolsa o valor das ações sobem e descem a todo o momento, mas o que será que movimenta esse valor? A resposta é fácil: são as expectativas das pessoas. Se uma ação começa a subir sua cotação, significa que os investidores possuem boas expectativas de retorno para aquela empresa, portanto aceitam pagar mais por essa ação.

Repare que a única coisa que fez a cotação da ação subir foi as expectativas, portanto é mais do que certo que expectativa possuem valor.

Nos bens contábeis é a mesma coisa. Imagine que você irá adquirir a marca PEPSI conforme exemplo anterior. Você oferece então R$ 1.000.000.000 (um bilhão) pela compra da marca, valor este que está registrado no Patrimônio Líquido (PL) da empresa, porém a empresa acredita que ela valha mais do que está em seu balanço, chegando ao valor de três bilhões. Após negociações, ambos os lados aceitam fechar a compra em R$ 2.500.000.000 (dois bilhões e meios).

 Se ela está registrada no PL por 1 Bilhão e você aceita pagar 2,5 Bilhões… onde eu registro essa diferença de 1,5 Bilhão?

Essa diferença vai também ao ativo intangível, através da conta de goodwill, conta destinada ao registro de avaliações de ágio, ou seja, valorizações na compra de determinados bens intangíveis. Goodwill é então a expectativa futura de rentabilidade que se espera da aquisição de um bem intangível.

Então é isso… agora você já sabe como classificar os ativos da empresa que não possuem materialidade corpórea!

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Até a próxima.

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Graduado em Ciências Contábeis, possui MBA em Investment Banking e está agora iniciando seu mestrado em economia. Atualmente trabalha no mercado financeiro e escreve os blogs com o objetivo de ajudar as pessoas a conhecerem um pouco mais acerca do mundo econômico, contábil e administrativo e sobre tudo o que isto implica.

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