CONTABILIDADE – ORIGEM E HISTÓRIA

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No primeiro artigo do site vamos começar com aquilo que parece o mais óbvio ao se iniciar qualquer assunto: sua origem. De nada adianta decorar os termos contábeis, as regras de classificação de contas, saber de cor as leis que regem o tema e ainda assim não conhecer de onde surgiu a contabilidade.

Para termos dimensão de quão antigo e extenso é o assunto, além de conhecer o processo de evolução desta ciência, vamos remontar suas origens.

Mas afinal, o que é a contabilidade?

A contabilidade, ao contrário do que muitas pessoas pensam, é uma ciência social e não exata, apesar de tratar sobre registros numéricos e cálculos matemáticos.

Mas então por que ela é uma ciência social e não exata? Simples. Trata-se de uma ciência social, pois apesar da utilização de ferramentas matemáticas para o desenvolvimento das técnicas contábeis, a contabilidade estuda o comportamento das entidades jurídicas (empresas) ou físicas (pessoas) e suas variações ao longo do tempo, se utilizando também de técnicas de administração, de finanças, modelos comportamentais e etc.

O foco da contabilidade se dá mais especificamente no estudo da evolução patrimonial que uma entidade possui, demonstrando como as alterações realizadas através das ações de seus administradores e colaboradores afetam as suas diversas contas patrimoniais e consequentemente influenciam as variações no total de patrimônio da entidade.

A contabilidade tem sido utilizada como ferramenta para o registro, a interpretação e o estudo dos eventos que modificam o total de bens, direitos e obrigações das sociedades ao longo do tempo. Para entender como isso funciona, vamos a uma breve linha histórica.




 

Contabilidade, uma história.

Tão antiga quanto a história humana, a evolução da contabilidade segue tênue com a evolução das sociedades antigas.

Com a redução de comunidades nômades e o crescimento de pequenas aldeias e cidadelas, se fez necessário a utilização de uma ferramenta que fosse útil à mensuração do total de bens que a população daquela região possuía.

Animais, alimentos e suprimentos gerais eram registrados de forma rudimentar e realizava-se o controle da entrada de novos estoques e do consumo dos que já se possuía. Nasce assim os primeiros registros da contabilidade, um método utilizado para mensurar o total de patrimônio.

Com a evolução das aldeias em cidades, havia aqueles que produziam mais do que conseguiam consumir e com o excesso de recursos, deu-se início ao comércio e a contabilização das transações que os comerciantes realizavam entre si.

Com a necessidade de se avaliar o tamanho da riqueza dos cidadãos da época, foram se aprimorando as técnicas contábeis que eram utilizadas para calcular conceitos, mesmo que rudimentares, de receitas, despesas e lucro. Não só em transações comerciais se dava o uso das ferramentas da contabilidade, mas também nas organizações políticas que se formavam à época.

Governos possuíam seu próprio sistema de contabilidade para a apuração de impostos cobrados aos contribuintes, avaliação dos bens dos reis e comandantes, mensuração dos gastos utilizados em guerras, expedições de exploração e etc.

Com o passar do tempo e o surgimento da moeda como meio universal de troca, diversas técnicas contábeis foram sendo desenvolvidas para dar não só maior agilidade ao processo de contabilização, mas também trazer maior confiabilidade aos registros que eram feitos e na procedência destes.

Com a utilização de moeda e sem a necessidade do escambo, foram sendo aperfeiçoados os modelos de estoques, saldos a receber, dívidas a pagar, clientes, credores e muitos outros.

Deste modo, havia a necessidade de um sistema completo de registro e mensuração contábil para comportar todas as operações em um único modelo de apresentação e cálculo das operações que modificavam o patrimônio das entidades.

O frei Luca Pacioli, considerado por muitos como o pai da contabilidade moderna, foi o precursor do método de partidas dobradas, modelo utilizado até os dias de hoje, onde para cada crédito existe uma contrapartida em débito, ou seja, foram especificados para todas as operações uma origem de recursos e uma destinação a eles.

Este método se popularizou por toda a Europa e logo foi considerada a metodologia oficial para o registro, fiscalização e mensuração do patrimônio de todas as entidades. Foi nesse período também em que houve a proibição da prática da contabilidade por qualquer indivíduo, sendo que a partir deste momento, só poderiam exercer a profissão aqueles que fossem comprovadamente capacitados.




 

Com a chegada da metodologia a outros países, a ciência contábil foi se aprimorando e foram amplificadas suas áreas de abrangências, sendo a contabilidade separada nas mais diversas partes como contabilidade comercial, contabilidade de custos, contabilidade fiscal, contabilidade bancária, contabilidade pública e etc..

Hoje a contabilidade é utilizada não só internamente nas empresas como um sistema eficiente de administração de bens e obrigações, mas também é empregada externamente por outras empresas, como bancos, para avaliar a qualidade financeira das empresas, sua capacidade de geração de lucro e crescimento, sua sustentabilidade dentre outras aplicações.

Então é isso. Agora que você conhece um pouco mais sobre a história da contabilidade, nós já podemos passar os conceitos de crédito, débito, ativo, passivo, patrimônio líquido, DRE e muitos outros mais.

Até a próxima!

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