BALANÇO PATRIMONIAL – O QUE É? COMO SE MONTA UM?

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Quando temos uma quantidade considerável de coisas a se organizar, é sempre útil utilizarmos alguma ferramenta ou aparato para estruturarmos o total desta coisa de uma forma organizada, de fácil entendimento e que todos possam utilizar de forma prática.

Imagine uma coleção numerosa de livros sobre direito e advocacia. Há milhares de temas e autores que, se deixados aleatoriamente, comprometem a utilidade desta coleção quando formos buscar ou consultar determinado assunto.

No entanto, se organizarmos estes livros em uma sequência lógica, sempre que precisarmos teremos à nossa disposição uma ferramenta de utilização de conteúdo para agilizar o nosso trabalho.

É justamente para isso que um Balanço Patrimonial serve, sendo ele a ferramenta mais importante na contabilidade para demonstrar a situação econômico-financeira de uma empresa em determinado período.

BP, uma foto da empresa.

O balanço patrimonial (BP), ou simplesmente balanço, é uma demonstração contábil como se fosse uma fotografia de uma empresa em certo momento. Ao elaborarmos um balanço demonstramos quais eram os saldos de todas as contas que compõem seus ativos, passivos e patrimônio líquido na referida data.




 

É como se chegássemos ao contador da empresa e pedíssemos um panorama geral de como estão os números da empresa. Qual o total de dívidas dela? Ela possui dinheiro em caixa? Qual o total do patrimônio dela? Há mais saldo na conta de fornecedores ou clientes?

Nós dizemos que o balanço é uma foto da empresa porque quando olhamos ele, vemos apenas o saldo das contas patrimoniais que a entidade possui em atividade no momento em que elaboramos e emitimos o balanço.

Tradicionalmente é emitido um BP em duas ocasiões:

1º: No final do ano, em 31 de Dezembro, para demonstrar como a empresa encerrou suas contas ao final de um ano de atividade, conhecido como ano fiscal (1 de Janeiro a 31 de Dezembro).

2º: Ao final de cada trimestre, sendo 1º Trimestre (Jan-Fev-Mar), 2º Trimestre (Abr-Mai-Jun), 3º Trimestre (Jul-Ago-Set) e o 4º Trimestre (Out-Nov-Dez). Esse formato é geralmente apresentado pelas empresas de capital aberto que precisam prestar contas aos investidores periodicamente.

Quando é necessário emitir o resumo dos números das empresas fora dos períodos citados acima, é emitido um Balancete, um resumo de um mês qualquer do ano (acumulado ou não) que mostra a posição patrimonial da empresa fora de uma data específica.

A estrutura de um balanço.

No BP estão resumidamente os valores que correspondem às operações que a empresa realizou ao longo de todo o ano, contendo as transações ocorridas e seus saldos no período. A organização do Balanço se dá em três grandes partes, conforme demonstrado na figura abaixo:

Um balanço é dividido basicamente em três partes sendo o Ativo, o Passivo e o Patrimônio Líquido.




 

O Ativo é onde são alocados os bens e direitos da empresa, por exemplo, os estoques da empresa que contém os produtos fabricados e que estão à espera da venda. Estes bens (produtos prontos) são demonstrados monetariamente (é registrado o valor total deles) na conta de estoques e permanecem lá até serem transferidos para outra empresa.

Já a conta de clientes (valores que serão recebidos por quem comprou nossos produtos) é considerado um direito, uma vez que eu possuo um valor a receber de outra empresa ou pessoa. As somas totais dos valores a receber ficam demonstradas no ativo.

As classificações dentro do ativo são Circulante, Não circulante e Imobilizado. Os ativos circulantes são aqueles que serão consumidos ou referem-se valores a receber em um prazo de até 365 dias, ou seja, um ano. Já os ativos não circulantes referem-se aos bens e direitos que devem ser recebidos em um prazo maior que um ano.

No imobilizado ficam geralmente os bens físicos das empresas, como máquinas, automóveis, terrenos, imóveis, ou seja, nesta parte do ativo são demonstrados os bens que a empresa utiliza para realizar suas funções e operação. Porém, nele também encontramos os ativos intangíveis, como marcas e patentes.

Já no Passivo estão as obrigações da empresa com terceiros. No passivo é onde as contas de fornecedores a pagar, bancos a pagar e impostos a pagar se encontram.

Com o dia-a-dia nas atividades da empresa, ela precisa de recursos de terceiros e nem sempre realiza o pagamento das compras e gastos à vista. Quando isso ocorre é registrada uma operação no passivo da empresa.

A regra para o passivo circulante e não circulante é a mesma que a do Ativo. Os pagamentos em até 365 dias ficam no circulante e dívidas com prazos maiores que este ficam no não circulante.

Por fim, o Patrimônio Líquido (PL) de um balanço é onde estão demonstrados os valores iniciais aportados pelos sócios da empresa para o início das atividades da empresa. No PL também ficam as contas de reservas (saldos guardados pela empresa para eventuais acontecimentos).

Conclusão

Na elaboração de todo Balanço Patrimonial, o total de saldo do Ativo deve ser igual ao total da soma entre Passivo + Patrimônio líquido, estando os dois lados em igualdade, exatamente como em uma balança.

Deve-se chegar a uma igualdade, pois o passivo + PL representam a origem dos recursos da empresa enquanto que o ativo representa as aplicações destes recursos, ou seja, eu consigo ver o dinheiro dos sócios no PL e dos bancos e fornecedores no passivo (de onde o dinheiro vem) e a aplicação deles na compra de estoques, no caixa da empresa ou no imobilizado dela (para onde o dinheiro foi).

Então é isso, agora você já conhece a estrutura do balanço e está pronto para entender quais os bens, direitos e obrigações uma empresa possui.

Até a próxima!

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